Mamie Phipps - a psicóloga social que usou a ciência contra o racismo!


Estamos na semana da consciência negra e por isso toma uma thread especial: vamos falar de uma psicóloga social negra chamada Mamie Phipps que usou a ciência para combater a segregação racial nas escolas dos EUA. Vem comigo que essa história é linda demais!


Essa história foi originalmente publicada no meu twitter na forma de uma thread tendo alcançado até o momento dessa publicação mais de 3 mil interações e tendo sido citada pela equipe to Twitter Moments Brasil. Me segue lá pra me acompanhar diáriamente.


Mamie nasceu em 1917 em Arkansas, filha de um proeminente médico e uma dona de casa. Em uma entrevista ela descreveu sua infância como feliz, apesar de ter tido “uma educação deficiente” por ter estudado numa escola segregada. Nessa época nas escolas e em outras instituições negros não podiam ocupar o mesmo espaço que pessoas brancas.

Ela sempre destacou a importância do apoio familiar que recebeu que a ajudou a superar várias barreiras nunca antes transpostas por mulheres negras e atingindo o pioneirismo em suas pesquisas sobre psicologia social.


Em 1934 ela ingressou na universidade de Howard, tendo cursado física e matemática, o que também raro para uma mulher negra da época. Lá conheceu seu marido, que seria um grande parceiro de pesquisas e teria incentivado a carreira na área de psicologia.

Pouco antes de se formar, Mamie precisou trabalhar como secretária de um grande escritório de advocacia, onde pode presenciar a preparação para um caso importante para o movimento dos direitos civis nos EUA.


Já na área da psicologia (que lá é pós graduação, entenda melhor aqui) Mamie, influenciada por seu trabalho no escritório de advocacia e na sua própria história de vida, decidiu estudar a segregação racial nas escolas e seus efeitos em crianças negras.


Tendo ao lado seu marido, Mamie bolou um experimento onde apresentava duas bonecas extremamente parecidas, mas uma era branca e outra era preta, fazendo  perguntas como, “qual das duas bonecas é legal” e “qual é má”, “qual é a bonita” e “qual é a feia”, e daí por diante.


O que ela descobriu na época foi chocante: a maioria das crianças de escolas segregadas atribuía características negativas as bonecas negras e positivas as brancas, denotando uma distorção da própria identidade e um sentimento de inferioridade nessas crianças.


O experimento de Mamie provou que a segregação nas escolas causava efeitos devastadores nas crianças e sua tese foi utilizada  como prova no caso Brown Vs. Board Education que foi marco final para o fim da segregação nas escolas.


Em 1943 ela se tornou a 1ª mulher negra a adquirir o título de Ph.D em psicologia experimental pela Universidade de Columbia. Mas a psicologia era uma área dominada por homens brancos na época e ela teve muita dificuldade de encontrar emprego. 


Mamie veio a trabalhar apenas em 1945 com meninas negras em situação de rua, o que a inspirou a abrir um centro de desenvolvimento infantil que existe até hoje. Além de vários outros trabalhos que impactarem positivamente a comunidade negra.


Mamie faleceu em 1983, deixando dois filhos e uma grande carreira, tendo feito uma enorme diferença na vida de muitos negros e deixando seu nome na história da luta pelos direitos civis dos negros nos EUA!

BIBLIOGRAFIA:

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