Pantera Negra e a importância do protagonismo das minorias na fantasia


Muitas pessoas não vão entender o significado de um filme como Pantera Negra (2018) tem no imaginário das crianças. Apesar da população negra ser a maioria no nosso país e em outros, o negro é subvalorizado até na sua cultura, sendo obrigado a engolir até mesmo nos arquétipos mais simples a super-valorização do modelo Europeu como métrica do padrão de sucesso.

Muitos dirão que valorizar esse filme é mais um episódio de vitimismo por parte da população negra.

Mas essa palavra geralmente é utilizada quando o negro, ou qualquer minoria, tenta se livrar de pré-conceitos ou até mesmo valorizar sua própria cultura. E geralmente as pessoas que defendem o carimbo de "vitimismo" de toda tentativa de denunciar as mazelas sociais também são aqueles que defendem termos chulos como meritocracia.

E, sim, existem outros filmes de super-heróis negros, mas não como este.

Em Pantera Negra vemos personagens negros protagonizando histórias em que eles não são membros de gangue, ou oriundos do "gueto", ou apenas ajudantes. Neste filme os negros são ricos, inteligentes e orgulhosos de suas origens. São da nobreza, são cientistas e super-heróis. Coisa que é difícil de se ver no imaginário fantástico atual que geralmente bebe das mitologias européias dominadas por protagonistas caucasianos onde negros são atração de circo ou escravos.

Não nos damos conta que a fantasia é importante para definir a realidade, afinal se a sociedade não consegue conceber negros ricos, inteligentes e orgulhosos de sua origem nem no "faz de conta", imagine no mundo real?

O primeiro passo para quebrar esse paradigma nefasto é empoderar a cultura, o imaginário das crianças negras que são bombardeadas diariamente por ídolos brancos ou de outras raças que vetam a possibilidade até mesmo de sonhar com um futuro promissor. É preciso mais fantasia com protagonismo negro para empoderar o pensamento que é o ensaio da ação.

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