Razão de Ser Psicólogo Social


Imagem: Foto do meu quadro de agendamento mensal na minha sala de atendimento.

Dia 27 se comemora nacionalmente o dia do psicólogo. Mas o que é a psicologia no Brasil? Por que se tornar psicólogo? E mais, por que ser psicólogo social?

O Brasil vive uma crise de direitos, uma crise da democracia e porque também não dizer uma crise da moral em seu sentido mais amplo? Uma população que vive na falta de acesso aos direitos mais básicos como a educação, moradia e emprego vem cada vez mais adoecendo, tanto da alma como do corpo.

Costumo dizer que, por motivos macabros, a área social vai despontar num futuro próximo, isso porque quando o estado começa a falhar em sua obrigação, os mecanismos de suporte começam a ficar sorbecarregados. É aí que entra o SUAS e até mesmo as instituições de conho social não governamentais. E é nessas áreas, junto com a área de saúde mental, que o psicólogo vê o diferencial de seu saber técnico.

Apesar do despeito das baixas remunerações, é claro o reconhecimento do público-alvo do atendimento do psicológoco, seja ele clínico ou psicossocial. A população sabe a diferença que o saber técnico deste profissional faz. Mas sobretudo é interessante lembrar que, apesar da população pagar diretamente pelo ofício do profissional, mesmo no setor público, não é ela que delega o valor do pagamento. Muito menos as condições de trabalho do profissional.

A psicologia tem se tornado cada vez mais relevante e o profissional tem sido cada vez mais procurado, seja em órgãos públicos ou e instituições particulares, pois a tedência é que nós internalizemos essa crise, agravando ainda mais os conflitos internos aos quais estamos sujeitos no dia-a-dia.

O sofrimento psiquico impede o sujeito de funcionar em sociedade, e atuando na área social o psicólogo é o profissional mais capacitado para ver o sujeito em relação com a comunidade na qual está inserido, e com a sociedade.

O psicólogo é agente de mudança, mas ele não a constrói sozinho, muito menos alheio sujeito. O profissional tem um poder muito mais relevante: o de provocá-la! O psicólogo atuando na área social, ou mesmo na área clínica, há muito já abandonou a visão do "paciente", assumindo o atendido enquanto cliente, ou como um ser ativo que utiliza o serviço no qual o psicólogo é ferramenta.

A luta da própria classe segue em plano de fundo, pois o reconhecimento da população nem sempre é o suficiente para que as instituições reconheçam o valor financeiro do trabalho do psicólogo que entrega muito mais do que uma carga-horária aos seus empregadores, mas sim comprometimento e até mesmo sua própria saúde mental em prol de ajudar as pessoas que necessitam.

A falta de reconhecimento político ou até mesmo financeiro talvez venha do fato da área social não produzir capital, mas sim autonomia, independência e consciência social, resultados que muitas vezes não são desejados por aqueles que delegam o valor dos salários do psicólogo.

O psicólogo social pode estar pecando ao exercer um trabalho eficaz, porém discreto e talvez a melhor forma de perceber sua relevância seja em sua ausência. É possível refletir que o grande mérito desse profissional esteja em provocar a mudança no sujeito sem colocar no próprio psicólogo a causalidade dessa mudança e, portanto, empoderando o sujeito, motivando-o a seguir em frente acredintando no protagonismo de sua própria história, e não na benevolência do estado, ou de um rélis profissional que o ajudou a problematizar sua situação.

E aos que não têm estômago ou capacidade de enfrentamento para seguir nessa área tão fantástica resta a coragem para admitir tal fato, mas sem desmerecer ou desmotivar os colegas que tem o dom para tal.

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