Um Brasil de dupla personalidade


Você pensa que mora num país só? O Brasil não é um país, o Brasil são dois países completamente diferentes entre si.

Um Brasil é aquele pregado pelos políticos e legisladores, o outro é a realidade.

O país da realidade brasileira é aquele onde o abismo social só faz crescer, onde há uma crise não só econômica, mas também moral. Onde valores como a própria vida são subvertidos em favor de uma minoria poderosa e seus interesses.

O Brasil de mentira é aquele onde tudo se resolve cortando gastos, afinal de contas a economia deste país nada tem a ver com política, nada tem a ver com corrupção, interesses privados e o assalto aos direitos da população carente: isso não tem a ver com a crise. São só os números que têm a ver, é um problema meramente matemático cujo um balancete bem feito é capaz de resolver.

Num Brasil temos as leis mais "avançadas" do mundo; no outro as instituições que deveriam garantir os direitos do povo, são as primeiras a violá-los.

Num desses países, o Brasil do discurso político, estamos chegando a solução dos nossos problemas sem nenhuma "feitiçaria", e estamos trabalhando para avançar mais e mais.

No outro, tudo vai mal porque nossos líderes já venderam suas almas a um demônio chamado dinheiro, e as soluções propostas pelos políticos só beneficiam a curto prazo os ricos e os poderosos, afundando ainda mais na lama os que sofrem senão prolongam e ampliam ainda mais a sua dor.

Esse país chamado Brasil sofre de um grave transtorno dissociativo de personalidade.

O Brasileiro, povo rico, criativo, empreendedor não consegue entender que é o mesmo Brasileiro pobre trabalhador, criativo, mas carente, que não teve chance de crescer na vida não por ser incompetente, mas sim porque o sistema o  massacrou covardemente.

O Brasileiro, povo que vive bem, seguro e tem acesso ao melhor que o sistema pode oferecer não entende que também é o Brasileiro a quem mesmo o mais básico e constitucional dos direitos lhe é usurpado pelas instituições que deveriam garanti-lo. 

E, se a gente não começar a se olhar no espelho, ou seja, no outro, essa doença mental tende a piorar.

Em sua também diagnosticada esquizofrenia, o Brasil doente chega a acreditar que é o culpado de sua tragédia social, e aponta o dedo para o espelho, se auto condenando a bárbaros castigos. O que ele não consegue entender é que aquela imagem feia, patética, incompetente, sem talento é ele mesmo.

Os dois Brasis precisam entender que vivem no mesmo corpo, compartilham a mesma alma. E se um fica doente o outro também padece.

Temos de parar de odiar o espelho, por motivos óbvios.

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