O que significa a vitória de Trump?


O candidato a presidência americana bilionário que prometia construir um muro na fronteira do México, fez comentários grosseiros contra as mulheres e chegou até mesmo a dizer que o atual presidente Obama não era americano venceu as eleições.

E AGORA?

Primeiro é preciso atentar a alguns fatos. 

O primeiro discurso de Trump como presidente eleito foi uma conciliação. Como apontado pela mídia, foi a primeira vez que vimos este personagem dizer algo se parecesse com palavras de um presidente. 

Isso acontece que, se de fato estiverem certos os analistas que dizem que o discurso enfurecido de Trump era na verdade uma estrategia de Marketing, o futuro presidente dos EUA sabe que enfrentará uma oposição ferrenha em seu governo, e também deve ter consciência de que muitas de suas promessas são, obviamente, impossíveis de se cumprir.

Mas mesmo que isso se confirme serão momentos tempestuosos os que a democracia americana terão pela frente. E isso terá um reflexo direto na economia mundial como vimos na semana passada.

E O QUE SIGNIFICA ESTA VITÓRIA?

A vitória de Trump consolida o novo arquétipo, ao menos de discurso, do anti-político. Assim como João Dória em São Paulo vemos cada vez mais ganharem força candidatos que vêm para o pleito com um discurso "anti-sistema", dizendo que "não são políticos". E esta eleição presidencial americana foi a confirmação máxima dessa teoria.

Acontece também que, como eu já disse nesse artigo, o sentimento de insegurança causa muitas vezes um retorno da população a uma mentalidade fundamentalista, o que faz com que figuras autoritárias e com discursos extremistas sejam vistas como "salvadores da pátria".
Portanto quando surge um candidato ou figura pública que começa a dizer que o sistema está quebrado, aponta dedos definindo inimigos e separa a sociedade em grupos, num momento de crise ele tem grandes chances de cativar o público.

Também veremos, como já é esperado, a ascensão de muitos candiados religiosos, como foi o caso de Crivela no Rio. Isso porque, além de serem vistos como "candidatos anti-sistema" ou "anti-políticos" (mesmo quando já são políticos de carreira, no caso de Bispo citado que era senador), eles ainda possuem o bônus de pertencerem a grupos sociais bem definidos e de relevante peso.

O QUE ESPERAR DO FUTURO?

Esse perfil de político tende a perder força quando as crises cessam. O problema é que o fim da verdadeira crise econômica mundial pela qual passamos está além do horizonte.

Sobretudo, vê-se a curto prazo um forte enfraquecimento dos movimentos de minoria.

A solução a longuíssimo prazo seria uma reforma política (e por que não democrática?), e uma injeção maciça de educação na sociedade, visto que, os números provam que quanto maior a escolaridade do eleitor mais imune ele se torna a este tipo de armadilha política.

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