Uma psicanálise para além de Freud


Já tecemos por aqui vários ensaios sobre a relação das abordagens terapêuticas da psicologia e a ciência. É importante lembrar, no entanto, que no início do Século XX na descoberta da psicanálise, em suas dezenas de livros, Sigmund Freud que é tido por muitos como o pai da psicologia clínica moderna e sempre tentou em seus textos aproximar-se sempre da ciência o máximo possível. Para ter certeza disso basta ler o próprio Freud e prestar atenção nas diversas referências que o mesmo faz em seus textos e na minúcia de sua narrativa.

No entanto, se mesmo na pós-modernidade em que vivemos um "mapeamento da mente" parece uma tarefa de conclusão ainda distante e nebulosa, imaginemos então um o que podia fazer um médico munido apenas de uma escuta afiada, a experiência da clínica médica e o conhecimento dos grandes pensadores da filosofia, sociologia e afins?

Não queremos reduzir aqui a psicanálise a uma metafísica (ou metapsicologia), até porque as deduções de Freud sobre o campo da psiquiatria e até mesmo da neurologia provam que, mesmo sem recursos científicos mais exatos, o médico das mentes conseguiu visualizar os caminhos que as ciências cognitivas começariam a trilhar num futuro próximo.

No entanto, chega a ser inocente pensar que a psicanálise deve se resumir a obra de Freud ou mesmo a de seus sucessores como Lacan.

O psicólogo precisa se conectar a ciência. Acompanhar periódicos, estudos e principalmente mergulhar nas descobertas feitas pela ciência cognitiva. Não é atoa que por muito tempo, os psicanalistas eram médicos, afinal de contas, a psicanálise, por mais filosófica que seja em sua teoria, nunca negou os avanços da ciência. Pelo contrário, tenta aproximar-se dela ao máximo possível, mas isto sem ignorar a subjetividade do paciente, analisando, cliente...

Portanto, beira ao charlatanismo a prática daqueles psicólogos que ignoram os avanços da ciência, ou que, por fim, negam por completo as descobertas modernas. Afinal de contas, a tecnologia nos atravessa enquanto sujeitos e enquanto sociedade e por consequência acaba afetando o discurso. Por isso seria ingenuidade acreditar que não afetaria a psicanálise.

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