Resenha: Narcos - 2ª Temporada


Quem viveu na década de 90 certamente acompanhou, mesmo que indiretamente a caçada a Pablo Escobar, que é tido como o maior narcotraficante do mundo, ou pelo menos o mais conhecido.

A primeira temporada da série original do Netflix produzida pelo Brasileiro Fernando Meirelles beira a genialidade, 

mas comete um pecado quase fatal: ela perde o ritmo ao longo da narração. Temos primeiros episódios frenéticos que te fazem ficar grudados no sofá, enquanto que dois terços da temporada, os dois últimos, parecem encher uma linguiça desnecessária desenvolvendo subtramas que parecem se arrastar, principalmente quando comparadas com o começo.

Este não é um problema da segunda temporada de Narcos que tem acertos muito bons. A trama passa a girar em volta do protagonista, e não mais centralizada nele e no núcleo dos policiais do DEA. As subtramas são desenvolvidas com cuidado e a tensão é manejada como deve ser.

No entanto, como fatos importantes sobre a vida fantástica de Escobar já foram queimados na primeira temporada, a história em vários momentos beira a irrelevância. 

Nenhum personagem que é desenvolvido consegue nos fazer esquecer o tema principal, e nos faz esperar pelo andar da grande trama ao invés de nos preocuparmos com o destino daqueles coadjuvantes.

Aliás, parece que nesta temporada a atuação do fantástico Wagner Moura beira a caricatura, já que em muitos momentos se resume a caretas e trejeitos exagerados. Porém, nos últimos episódios, principalmente no último, quando o personagem está completamente descaracterizado e deixa de ser um chefão do crime pomposo para se tornar um homem recluso com delírios de grandeza é que vemos o ator ficar mais à vontade e nos convence ser um ex-gênio do crime, uma verdadeira besta ferida, cujas garras lhe foram violentamente arrancadas.

A série vale as horas gastas na frente da TV, 

mas no fim você acaba torcendo para que a narração se encerre logo. E por que não, ouso sugerir que valia a pena sacrificar algumas das várias horas da produção em busca de ter um ritmo narrativo mais acentuado ao invés de esticar a história até que ela ficasse como manteiga espalhada num pão grande demais.

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