Será que cortar direitos trabalhistas é uma solução?


Ultimamente muita gente têm defendido a tese de que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) é uma lei redundante e que não corresponde a realidade de um Brasil em crise. Ainda se defende que uma flexibilização destas leis aqueceria o mercado e melhoraria o cenário econômico do Brasil.

Estamos vendo essas falas na mesma época em que alguém por aí cometeu uma gafe defendendo jornadas de trabalho de 80h semanais. Mas será que isso é verdade ou a gente precisa abrir o olho?

Primeiro: a culpa da crise no Brasil não é dos trabalhadores.

Não. Ninguém disse isso... Não diretamente, é claro.

Mas se você acompanha as notícias pode ficar com a impressão de que apertar o cinto no que se refere a direitos trabalhistas pode "resolver" a crise, ou mesmo pode acabar entendendo que, de certa forma, o excesso de direitos, benefícios ou até mesmo programas de distribuição de renda são os culpados pela atual situação econômica.

A crise no Brasil é, em essência, política!

Mesmo que reformas nos direitos trabalhistas ou na previdência fossem feitas de forma rígida e pragmática os maiores gastos do governo vão continuar sendo o próprio governo através dos super-salários dos políticos, da corrupção e a dívida pública!

Num Brasil bem administrado sobraria grana para as "regalias" dos trabalhadores.

No entanto, teorias de conspiração à parte, é de conhecimento público que os políticos governam em prol de seus próprios interesses, pois mesmo que muitos vejam os direitos trabalhistas como uma "regalia" (o que não é!) eles são de longe o menor dos problemas financeiros deste país

Além disso, muito se defende que em países desenvolvidos como os EUA ou o Canadá há muito menos direitos trabalhistas e todo mundo é "feliz".

Porém se ignora que nos países desenvolvidos a mão de obra tem muito mais valor e os trabalhadores são muito mais politizados e instruídos do que no Brasil!

Até mesmo na organização de um evento público como as Olimpíadas Rio 2016 (TM) há flagrantes de trabalhadores sendo explorados, ou seja, tendo seus direitos mais básicos violados. E todos os dias vemos notícias sobre trabalho semi-escravo, ou até mesmo infantil no nosso país.

Imagina só se os direitos trabalhistas forem relaxados?

Lembre que o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e que tem uma cultura segregacionista que, mesmo no Século XXI, ainda criminaliza a loucura e a pobreza, é um dos país mais violentos do mundo, e com os maiores índices de desigualdade social.

Será mesmo que sem essas "regalias" o cidadão sem instrução vai ter autonomia para negociar um contrato de trabalho justo?

E lembre-se que o mesmo governo que negocia a flexibilização dos direitos trabalhistas é aquele que concedeu aumento aos seus funcionários com super-salários.

Portanto, se você é trabalhador pense duas vezes antes de defender o tema.

Discorda? Esse blog é democrático! Deixe seu comentário aí em baixo que eu respondo assim que der. =)

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