Resenha: Batman Piada Mortal (2016)



Nas mãos da Warner a DC não anda muito bem das pernas no cinema. Isso todo mundo que viu Batman Vs. Superman e o recente Esquadrão Suicida pode atestar. No entanto, no campo das animações o selo vem desempenhando um bom papel, principalmente na adaptação de suas obras clássicas como Batman Ano Um, ou até mesmo o Cavaleiro das Trevas.

No entanto, para certas histórias "bom" não é o suficiente.

A DC é sortuda por ter em seu bolso autores como Grant Morrison, Neil Gaiman, Alan Moore e Frank Miller que criaram verdadeiras obras de arte do mundo dos quadrinhos chegando até mesmo a serem reconhecidas com prêmios conferidos apenas a obras literárias de alto calibre.

No entanto, na hora de adaptar essas obras se mostra "mediana", como por exemplo foi o caso de filmes como Constantine, que se não fosse inspirado no personagem magnificamente criado por Alan Moore seria um filme "legalzinho".

Afinal, quando se tem títulos de obras geniais encabeçando a narrativa, como é o caso de Piada Mortal, uma adaptação mediana não é o suficiente.

Mas também precisamos reconhecer que mexer numa boa história é sempre arriscado.

A animação de piada mortal adiciona um ato inteiro a história original que eu não sei se tem origem nem algum outro volume de Batman, mas cujo objetivo e justificar o fato da Batgirl ter largado a capa. Por outro lado ele apresenta a personagem para aqueles que nunca tiveram contato mais a fundo com ela, e faz uma ligação mais forte entre a personagem e o homem-morcego.

Ao que parece, a animação quer apresentar uma história clássica para um público novo, mas sem se aprofundar.

A narrativa contém cenas, quadros e elementos que foram tirados diretamente do quadrinho, no entanto o traço cartunesco que particularmente me desagrada, pois parece tirar uma camada narrativa da história, descaraterizando parte dela.

E sobretudo, se há um ponto forte nessa animação é a dublagem fantástica de Mark Hamill que por si só já vale assistir a produção.

Mas, numa transposição de mídias, algo sempre se perde.

A animação entretém e te faz ter vontade de revistar a história em quadrinhos, que, cometendo a falácia de comparar mídias, ainda é a melhor forma de consumir uma história tão densa e brilhante. 

Além disso, exceto pelo primeiro ato, que é uma gordura na narrativa para aqueles que já estão ambientados com o universo Batman, a animação nada acrescenta a quem já conhece a história, tendo por único mérito não alterar (alguns) pontos-chave da narrativa brilhante criada por Alan Moore.

Se a intenção desta adaptação foi cativar o público "não leitor" para estas histórias clássicas, a empreitada foi bem-sucedida, mas como já dito, a melhor forma de consumir essa história ainda é de longe o quadrinho no qual ela foi inspirada.

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