Psicanálise não é ciência... E daí?


Uma das primeiras coisas que você irá aprender num curso de psicologia é que esta é uma ciência que bebe de duas fontes: a da biologia e a da filosofia.

Isso porque a psicologia é uma ciência humana.

E isto significa que é quase impossível contextualizar sua prática dentro de um paradigma estritamente matemático porque a quantidade de variáveis inclusas nesse processo seria imensa e acredito que ainda não existe ferramenta matemática capaz de prever ou controlar o comportamento humano de forma exata.

Também expliquei nesse artigo por que nenhuma forma de clínica praticada pelos psicólogos é ciência, e também explico que isso não te impede de procurar um psicólogo com segurança.

Além disso, estudar qualquer coisa usando o método científico é ciência.

Até mesmo estudar dogmas religiosos usando um método científico é ciência. Pesquisar, averiguar,  investigar usando as técnicas preconizadas pela ciência torna qualquer estudo científico. Isto é, se você estiver disposto a ser neutro e justo em relação ao que for descobrir.

Além disso, as obras que envolvem a psicanálise são científicas. Estudar filosofia também é ciência. Só a prática da psicanálise é que não é.

Mas e daí?

Inclusive, a própria universidade de Viena, lar acadêmico de Freud não reconheceu seus trabalhos, mesmo ele sendo até hoje considerado um gênio da psicologia. Isso porque Freud mergulha bastante na filosofia, na cultura, na sociologia e na observação prática. Mas estamos falando dos textos de Freud, pois a prática da psicanálise é completamente subjetiva, ou seja, não é exata, não se define, não pode ser explicada de uma forma "universal".

Um desafio para ciência ainda é quantificar conceitos como a felicidade.

Existem certos aspectos da mente humana que (ainda) não são possíveis de se medir. Qual o resultado que se espera de uma análise? Felicidade? Auto-conhecimento? Como medir isso? 

Eu sei que há muitos estudos cognitivos nessa área, alguns até mesmo alegam ter matado esta questão. Mas a psicologia clínica, ou mesmo a psicanálise ainda estão longe de dar forma a uma técnica universal que considere aspectos culturais, subjetivos, e psíquicos de um sujeito, muito menos ter isso resumido em uma prática única e mecânica.

A psicanálise ou a psicologia não negam a ciência, pelo contrário, tentam se aproximar dela o máximo possível, mas ainda há um longo caminho a se trilhar.

Até que este dia chegue, e eu acredito que ele possa chegar, teremos que ser arbitrários e subjetivos, nos apoiando na filosofia, e quem sabe até na arte, (sem se esquecer da ética!) para realizar um atendimento psicológico que leve em conta as vicissitudes da criatura muti-facetada que atendemos: o ser humano.

BIBLIOGRAFIA:

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