Explicando os plot-twists a luz da psicologia



Sem plot twists, ou seja, as reviravoltas dramáticas dos filmes, séries e afins, não haveria spoilers, mas o mundo seria mais triste. Aposto que quando você viu filmes como o Sexto Sentido ou Clube da Luta ficou completamente transtornado e dois planos surgiram na sua mente: 1. Achar alguém que tinha visto o filme para conversar e 2. Assistir de novo para sacar as dicas que perdeu.

Dizem que quando o teatro foi criado na Grécia, ele era uma evolução da tradição oral do storytelling, uma forma mais rica de contar histórias. E elas servem para nos ensinar lições sobre a vida, ilustrar teorias, ensinamentos e muitas outras coisas, mas hoje elas têm o poder de entreter – e gerar dinheiro no processo. Elas fazem isso nos fazendo viver a vida de outras pessoas, nos levando a mundos imaginários, nos fazendo “sentir de mentira”. E a arte de contar histórias evoluiu da tradição oral para os textos, teatro, cinema, games e por aí vai.

Foi apenas há alguns milhares de anos nos assentamos em cidades e desenvolvemos a agricultura, porém o homem foi um ser nômade que dependida de migrações entre territórios para sobreviver pela maior parte de sua existência. Por isso ainda reside em nós um instinto para o novo, um instinto para a aventura.

Porém, como dito antes, as histórias foram criadas para nos entreter, para nos fazer viver e sentir emoção de uma forma segura, por isso surpresas são importantes. Quanto mais envolventes os mundos das histórias forem, melhores elas são, pois elas instigam nosso espírito nômade que precisa de novidades, de novos territórios para explorar.


Uma história precisa surpreender o público de forma que ele sinta emoções reais. Os personagens da série Game of Thrones não morrem subitamente, geralmente eles são vítimas de uma cadeia de erros e azar que faz completo sentido dentro da trama. Quando algo acontece do nada, ou acontece com um personagem com quem não nos importamos, o efeito catártico do plot twist não acontece.

Amamos mudanças, amamos ser surpreendidos porque isso está em nossa natureza. E por melhor que seja um personagem, caso não haja riscos e recompensas em suas jornadas, essa história não vai colar. É preciso surpresa, é preciso testar o caráter, a força e a motivação do personagem para que o público se sinta testado, para que ele mergulhe completamente na história.

Afinal de contas, as histórias mais eficazes não são as mais complexas, mas sim aquelas que conseguem despertar em nós os sentimentos mais básicos.

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