Resenha House of Cards S04


O Netflix nos traz novamente de volta aos bastidores de uma Washington agora governada pelo implacável presidente Underwood que é capaz de fazer qualquer coisa para matar sua sede de poder.

A princípio, parece não haver nada de novo no main plot da temporada. A grande "vilã"(se é que podemos chamar assim) continua sendo Heather Dunbar (Elizabeth Marvel) a concorrente de Frank a indicação do partido Democrata para a candidatura a presidência, e a história segue meio morna até que esse aspecto se resolva.

Um ponto positivo é que a história resolve o conflito entre o casal Underwood, o que foi uma grande mancada no roteiro da terceira temporada que quebrava a própria mitologia que a série já havia estabelecido.

Mas a história começa a esquentar quando o cargo de presidente começa ser realmente disputado e um novo antagonista é apresentado: Will Conway, o candidato republicano interpretado por Joel Kinnaman, que protagonizou o Robocop do José Padilha que todos queremos esquecer. É então que vemos o casal Underwood atuando em pleno vapor, manipulando, seduzindo, e quebrando todos os valores que a família burguesa cristã preza.

No entanto com temporadas tão boas como a primeira e a segunda fica difícil surpreender o público. E até mesmo artifícios como a quebra da quarta parede, que foi quase esquecido na terceira temporada, mas que voltou a todo vapor nessa, acabam se tornando, muitas vezes, gratuitos.

Além disso, muitas soluções encontradas pelo roteiro para resolver os problemas parecem mal elaboradas. Um exemplo disso é o embate entre Clair e o presidente Petrov (Lars Mikkelsen) que ao contrário do perfil criado pela própria série é intimidado pela primeira-dama numa cena curta cheia de frases feitas que termina com um corte seco. Não que Clair não fosse capaz de fazê-lo, mas fica claro que a cena poderia ter sido melhor elaborada.

No mais a temporada termina numa tensão crescente deixando um grande gancho para a quinta, mas ainda se sustentando no mesmo enredo que já está nos cansado: o raio das eleições que nunca acabam!

Resumo da ópera: a quarta temporada de House of Cards é melhor que a terceira, o que não é difícil, mas não consegue chegar ao nível das duas primeiras, o que no fim das contas já era esperado. Mas, aguardamos a quinta temporada e que essas eleições acabem logo, porque esse enredo já está cansado.

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