Resenha da temporada 2 de Demolidor ou por que estou ficando de saco cheio de histórias de super-heróis


A segunda temporada de Demolidor (Daredevil no original) estreou no Netflix. Como bom consumidor, fiz valer meus R$19,90 que pago todo mês (ao contrário do que dizem as estatísticas do Netflix), fiz pipoca e passei um agradável fim de semana assistindo uma série maravilhosa que eu não gostei. Mas antes de me atirarem pedras, por favor. Leia até o fim e pra entender melhor o meu ponto de vista primeiro você precisa saber de algumas coisas.

CONSIDERAÇÕES INICIAS.

São três as considerações que preciso fazer:
  • Primeira coisa a se considerar nessa minha crítica é que, eu não li nenhuma HQ do Demolidor. Isso pode pesar muito no meu ponto de vista.
  • A segunda coisa importante é que eu estou ficando um velho chato.
  • A terceira coisa importante a se considerar é que, na boa, a mídia já tá ficando saturada com esse gênero.

MAS VAMOS AO QUE INTERESSA:

A primeira temporada de demolidor chamou a atenção por vários fatores. Dentre os mais importantes eu destaco a verossimilhança dramática da história, ou seja, não é que a coisa foi feita pra acreditarmos que é possível, mas sim que, se acontecesse de verdade, seria assim que as pessoas envolvidas reagiriam. Os sentimentos vividos pelos personagens, suas histórias pessoais é que são verossímeis. Coisa que já não acontece tanto numa outra obra conhecida por colocar os pés dos super-heróis no chão: a triologia do Batman de Nolan, que fez o herói ficar crível, mas ainda assim transparecer um ar "super-humano".

No entanto, apesar de orquestrar bem o ritmo dos pontos de virada da história e trazer atuações brilhantes, a segunda temporada de Demolidor me incomodou no quesito "Super" da história. Na primeira temporada o protagonista era quase um "Saint Seya", e na maioria das vezes que ele encarnava o demônio de Hell's Kitchen havia no clima um risco real do cara se estrepar, e isso aconteceu algumas vezes. No entanto, parece que agora que ele colocou aquela "super-roupa" ele passou a ter poderes mágicos, dar piruetas desnecessárias, e até mesmo possuir "equipamentos mágicos". Se o mesmo personagem se deu mal numa queda na primeira temporada, agora ele pode levar um tiro na cabeça e se recuperar em um episódio e meio, e ainda ter sua armadura ainda mais reforçada.

Outra coisa que me incomodou também foi TODO o arco da Elektra que, na minha opinião, destoa completamente do clima criado na primeira temporada. A história, apesar de parecer condizer com o que acontece nos quadrinhos (OUVI DIZER), me pareceu uma aventura da sessão da tarde, com direito a um grande roubo, lutas com capangas e soluções Deus Ex-Machina.

Sinceramente, toda vez que aparecia um uniforme ou um ninja eu achava a coisa meio galhofa e entediante. Até mesmo as coreografias me pareceram exageradas, e a ação em poucos momentos apresentou um perigo real para os protagonistas que, dessa vez, pareciam possuir a invencibilidade já conhecida dos super-heróis.

Por outro lado o grande ponto forte dessa temporada foi o Justiceiro, que tenta contrabalancear esta história, mas falha na tentativa. No começo ele se coloca como um problema gerado pela existência dos "justiceiros uniformizados" e chega até mesmo a questionar muitas ações do protagonista. Ele é seco, é viceral e está completamente contextualizado com o clima criado pela primeira temporada.

Mas parece que quando este personagem é, a certa altura, hospitalizado, a história também fica febril, parecendo ter se tornado uma fusão de um seriado de advocacia mediano com um filme de ação "B" dos anos 80, só que ambos super-produzidos e com roteiros extremamente coerentes.

CONCLUSÃO

Não sei se o fato de eu não conhecer a fundo o personagem pode ter prejudicado a minha crítica, por outro lado, o fan-service talvez possa fazer valer a experiência que é oferecida quando a história começa a envolver ninjas e misticismo.

Porém, a segunda temporada de Demolidor ao meu ver pareceu esticar uma história que já estava, de certo modo concluída, como um DLC desnecessário cheio de easter eggs para estender as horas de um jogo que não necessita delas. Por outro lado, a temporada estende o universo "undergroud" da Marvel, que está fazendo muitas promessas e que talvez ainda tenha muito o que revelar.

Comentários

  1. Eu pensei o mesmo da parte da Elektra. Quando começou com aquele negócio de "the hand" eu já comecei a torcer o nariz e ficar entediada com a história. O risco do Demolidor "se estrepar" realmente diminuiu, na primeira temporada quando ele saía pras ruas eu ficava morrendo de medo de acontecer algo, e na segunda já tava na cara que ele ia se dar bem, nem me preocupei. Espero que a terceira temporada melhore (e que parem de explorar tanto os universos dos super heróis)

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    1. Oi Tiago, tudo bem? Estou passando aqui rapidinho pra avisar que seu post foi selecionado para minha coluna de links quinzenais. Parabéns! Se você quiser ver, vou deixar o link para você, adoraria uma visita! Link Party - Os melhores links da quinzena #3.

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