A psicologia das teorias de conspiração.


Você acredita mesmo que o homem pisou na lua? Que o 11 de Setembro foi um atentado terrorista e não um trabalho interno? Você acha que não há a mínima chance de um agente do governo não saber que você está lendo isso agora? Se a resposta pra alguma dessas perguntas é "não" você é um teórico de conspiração. Mas o que exatamente são as teorias de conspiração? E o que a psicologia tem a dizer sobre elas?

O QUE EXATAMENTE É UMA TEORIA DE CONSPIRAÇÃO?

Um conceito amplamente difundido nos tempos atuais, uma "Teoria de Conspiração" é toda tese que tenta justificar a intencionalidade de um evento de grandes proporções. Geralmente tais eventos têm grande impacto na vida da população, seja ele social, financeiro ou emocional, como por exemplo, a morte de um presidente, um atentado terrorista ou mesmo uma crise econômica.


Nas teorias de conspiração, geralmente um determinado grupo de pessoas teria arquitetado um plano para executar tal evento, sempre em segredo, que traria grandes vantagens para o referido grupo que pode ser uma corporação, o governo de um estado ou país ou até mesmo uma classe social, religião ou sociedade secreta.

Na atualidade, os Illuminati e a "nova ordem mundial" são uma das teorias de conspiração mais populares, onde uma sociedade secreta estaria tramando um plano para criar um regime totalitário global.

DIFÍCIL DE PROVAR

Uma das principais características de uma teoria de conspiração é a dificuldade que um teórico tem de provar que sua teoria é verdade, afinal de contas grandes eventos da história são o resultado de milhares de variáveis, uma reação em cadeia causada por um somatório de detalhes cuja manipulação é quase impossível.


E se formos falar em dominação mundial, apesar de atualmente 1% da população possuir 50% das riquezas do planeta, é quase impossível que um grupo pequeno de pessoas conseguisse dominar o mundo... Principalmente sem ninguém ficar sabendo.

MAS MESMO ASSIM HÁ QUEM ACREDITE.

Em uma pesquisa realizada em 1992 pelo New York Times se considerou que menos de 10% da população Americana acreditava que Lee Harvey Oswald havia trabalhado sozinho no assassinato de J. F. Kennedy.

Já em 2004 uma pesquisa realizada nos EUA também apontou que cerca de 49% dos habitantes da cidade de Nova York acreditava que o governo falhou intencionalmente em evitar que os atentados de 11 de Setembro ocorressem.

Além disso não é difícil achar na internet vídeos de pessoas com certa autoridade como policiais, professores, ex-militares dando seus depoimentos sobre a veracidade de certas teorias.



E o pior é que, pesquisas comprovam que a maioria dos teóricos de conspiração tendem a continuar acreditando em teorias de conspiração mesmo que tenham acesso a informações confiáveis que desmintam tais teorias. Aliás, alguns pesquisadores também acreditam que nível social, escolaridade e etnias não são fatores que diferenciam os teóricos dos céticos!

Além disso, existe uma grande parcela da população, que não acredita que, por exemplo, a AIDS seja uma doença natural. Muitos alegam que ela teria sido criada em laboratório e outros chegam a alegar até mesmo que ela NÃO EXISTE!

MAS POR QUE AS PESSOAS ACREDITAM?

É fato que existe uma necessidade muito grande de explicar eventos importantes na vida das pessoas, principalmente se estes eventos são traumáticos. A psicanálise chama o processo que leva a pessoa a superar um sintoma, trauma (etc) de "elaboração" que, na clínica, acontece quando o sujeito consegue criar um discurso sobre aquilo que lhe atormenta.

Além disso, mesmo que aquilo não tenha acontecido com ela, ou com uma pessoa próxima, a empatia coletiva, um efeito claramente herdado pela nossa evolução, é um fenômeno esperado quando ocorre uma grande tragédia. E não haver explicação para algo de tal magnitude é algo psicologicamente desconfortável.


Também é sabido que a crença em teorias de conspiração está relacionada a anomia, um estado psicossocial onde a pessoa tem dificuldade de se adaptar a cultura da sociedade onde vive ou até mesmo as mudanças que o mundo sofre ao longo do tempo.

Há casos também em que a crença em teorias de conspiração já fora relacionada a sentimentos como "insegurança financeira" e até baixos níveis de "autoconfiança".

A insegurança social também pode ser um fator que influencia as pessoas a acreditarem em teorias de conspiração, afinal de contas, muitos afirmam que a crise econômica provocada na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial pode ter ajudado Hitler a subir ao poder. Portanto o medo de uma possível crise econômica ou mesmo a possibilidade de perder o emprego devido a uma decisão ruim de um líder político pode fazer com que as pessoas superestimem o poder de certos indivíduos que podem ser políticos, as pessoas mais ricas que você ou até mesmo o dono da sua empresa!

CORRELAÇÃO SOBRENATURAL

Outra pesquisa também relaciona a crença em teorias de conspiração a crenças em simpatias, e eventos sobrenaturais. Não é atoa que existem várias vertentes de teorias de conspiração como as dos illuminati.


Na mais racional delas, a sociedade secreta dominaria o mundo através do tráfico de influência e da manipulação da economia, mas a coisa vai ganhando escala quando pesquisamos mais e descobrimos que também existem versões que alegam que eles usam super-psicologia como mensagens subliminares e lavagem cerebral. Mas elas também podem chegar ao extremo ao envolver pactos com o demônio e até mesmo seres extraterrestres!

ACREDITAR EM TEORIA DE CONSPIRAÇÃO ENTÃO É COISA DE MALUCO?

Geralmente a crença numa teoria de conspiração pode ser "curada" com uma boa dose de informação confiável. No entanto, como já dito antes, já foi provado que muitos teóricos de conspiração tendem a continuar acreditando em suas teorias mesmo quando informações confiáveis são apresentadas a eles.


Lembremos também que o discurso paranóico de algumas teorias de conspiração também pode ser detectada em pacientes com Esquizofrenia Paranóide, um transtorno psiquiátrico.

Mas é importante frisar que, acreditar que o governo não quer o bem do povo, e que alguns políticos enriqueçam ás custas dos pobres, ou mesmo pensar que "a meritocracia" pode ser uma mentira é muito diferente de ter certeza que a Dilma é, na verdade, um alienígena usando uma máscara de "presidenta".

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