ILLUMINATUS 5 e a narração subjetiva vs. narração objetiva


Primeiramente eu gostaria de agradecer a todos que baixaram o ILLUMINATUS parte 5 "Cinereo" ontem na promoção da Amazon!

Esse capítulo foi complicado de escrever porque eu dei uma enlouquecida na linha do tempo da história, e dei uma mudada na forma de narração usual tornando-a menos objetiva, ou seja, descrevendo menos as ações e carregando o texto de alegorias e emoções dos personagens ao invés de fazer descrições exatas. Além disso, decidi fatiar a linha temporal e dando uma de "Tarantino" ao narrar a história.

Essa narração menos descritiva em termos de ação dos personagens eu chamo de "narração subjetiva", afinal nela o que importa é o que acontece na cabeça do personagem, não em volta dele.

A narração que é focada na estrutura mecânica da cena, ou seja, os cenários, as ações concretas e todo resto,  ou seja, a composição física da cena, eu chamo de "narração objetiva".

Hoje em dia temos visto cada vez mais textos objetivos na literatura, afinal de contas a influência da verdadeira era audiovisual em que vivemos não poderia ser ignorada nos livros. O cinema, uma das formas mais difundidas de se contar histórias, é uma expressão audiovisual, e é uma das formas mais eficientes de fazer o expectador mergulhar na história.

A questão que fica é: será que esse espelhamento transmidiático funciona na literatura? 

Afinal de contas o cinema tem uma linguagem narrativa completamente diferente, por isso um roteiro pode ter uma estrutura mais objetiva e deixar lacunas subjetivas no fim da produção. No cinema contamos a história com recursos audio-visuais que não precisam ser narrados aos expectador enquanto que, na literatura, você praticamente precisa "dizer ao leitor" o que ele precisa imaginar, isso é, se quisermos ser objetivos.

O problema é que, no filme, os roteiristas, diretores e produtores trazem suas próprias referências, enquanto que nos livros, quem cria o cenário e completa os personagens é o leitor. E fica muito mais difícil "orquestrar" a história.

Bom, no fim das contas, a experiência trazida em ILLUMINATUS 5 é bem parecida com a que criei nos meus contos da antologia ANCORNER, onde ao invés de descrever a cena de uma forma completa, como se faz usualmente em literatura, optei por uma narração mais rápida onde as ações dos personagens ficam mais "subentendidas" do que "explicitas" e as emoções protagonizam a estrutura da história.

Ou seja, nessa obra o que predomina é a narração subjetiva.

Mas e aí? O que você, leitor, achou dessa loucura? Você acha que o leitor precisa trazer sua própria carga emocional para a história através de alegorias, descrições focadas na emoção, ou seja, narração subjetiva; ou o autor deve dizer exatamente o que está acontecendo com os personagens e descrever cada detalhe mecânico da cena fazendo assim uma narração objetiva?

Será que o ideal seria o equilíbrio? Comenta aí!

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