Como ficar rico e famoso fazendo a sua arte


No começo dos anos 2000 eu lembro de um texto que rolava na internet que era quase mítico. Bill Gates descia de helicóptero numa escola para dar uma palestra aos alunos e dizia coisas do tipo:

"Você não pode achar que vai ter um carro e um celular a sua disposição quando arrumar o seu primeiro emprego. Você só vai ter um carro e um celular da empresa a sua disposição quando já tiver condições de bancar o seu próprio carro e seu próprio celular". 


Eu não sei se essa história era verdade, ou se o Bill Gates realmente disse isso [mesmo que não fosse descendo de helicóptero numa escola], mas estas palavras ficaram na minha cabeça.

Recentemente houve um burburinho em torno da série True Detective com o roteirista iniciante Nic Pizzolatto onde o que ouvi dizer do cara foi que ele perguntou pra alguém como se fazia para escrever roteiros em Hollywood e responderam que era coisa de simplesmente escrever e enviar, o que dá a entender que um dia a HBO bateu na porta do cara com uma maleta cheia de dinheiro e decidiu filmar o roteiro dele.

Com 2 min de Wikipédia você descobre que o cara já publicou dois romances, que não foram muito expressivos nas vendas, mas que foram premiados pela crítica especializada. E também que o cara já tinha escrito pra TV antes. Ele pode ser estreante como autor de uma série de peso, mas o cara não surgiu do nada.

True Detective: A série escrita por Nic

Muitos escritores iniciantes confundem seus sonhos. Tem gente que tem o sonho de ser rico e famoso, e tem gente que tem o sonho de viver da sua arte. Eu confesso que tenho os dois sonhos, apesar de dispensar a parte de ser "famoso". Mas geralmente essa história de querer ser rico e famoso é tão fútil quanto a do garoto que sonha ser jogador de futebol ou a menina que quer ser modelo/ atriz.

Esse desejo é fruto de uma lavagem cerebral que as mídias fazem na nossa cabeça, pros illuminati ricos e pessoas de sucesso é muito conveniente que a grande maioria da população que não consegue chegar no mesmo lugar que eles pense que todos têm a mesma chance. O que eu acredito que não seja verdade.

Sobretudo, nessa lavagem cerebral é ensinado que as coisas simplesmente acontecem. Segundo a grande mídia, empresas e bandas de garagem são levadas ao sucesso por empresários que caem do céu bem na porta da casa deles como fadas madrinhas pós-modernas que atendem a desejos; se você é bom em alguma coisa, isso vai ser fácil demais pra você, como se fosse uma espécie de "super-poder" como a dedução do Sherlock Holmes ou a inteligência do Batman e do Tony Stark.

Tem artista por aí pensando que é o Batman.

A mídia só mostra os "sim" que as pessoas de sucesso recebem. Afinal de contas ninguém se interessa pelos milhões de "não" que eles ouviram, ou quantas vezes eles quebraram o nariz quando uma porta foi fechada na cara deles, ou mesmo as noites de sono que eles perderam exercitando o seu talento.

Você pode até realmente ser muito bom em alguma coisa, mas isso não significa que exercer a sua arte é uma coisa fácil. Picasso pintou muitos quadros comuns antes de achar o seu estilo. Pergunte ao Neil Gaiman quantas páginas ele já escreveu na vida que não foram publicadas ou caíram no esquecimento e você vai se surpreender.

Por isso eu sou apaixonado pela dica que Terry Gilroy dá àqueles que sonham em ser roteiristas de Hollywood: arrume um emprego. Afinal de contas se a sua perseverança, a sua vontade de escrever, for tanta que você seja capaz de fazer isso sem ganhar 1 centavo, muito provavelmente você vai escrever e escrever até ficar bom o suficiente para começarem a te pagar.

Mas, seguindo a lógica do  Bill Gates que visita escolas com seu helicóptero, quando começarem a te pagar por isso, você já não vai mais precisar desta grana pra sobreviver há muito tempo.

SAIBA +

Quer mais conselhos de Terry Gilroy? Leia 10 deles [incluindo o de achar um emprego] aqui:
Conheça as dicas que Bill Gates deu na escola [eu realmente não sei se isso aconteceu de verdade!]
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Comentários

  1. Belo texto, faz total sentido, mas a parte do Nic Pizzolatto não foi bem isso não, o cara realmente apostou tudo, largou emprego e se mudou pra Los Angeles com a família, ele tinha escrito um livro e tinha sido publicado, mas não vendeu nadica e a série que ele escreveu antes de True Detective, ele só conseguiu escrever porque enquanto apresentava True Detective o pessoal gostou tanto da escrita dele que isso fez ele arrumar emprego em outras séries, como The Killing.

    Mas é claro que o que você disse esta certo, foi um caso que deu certo entre um milhão de casos que deram errado, ainda é bom não tomar algo que é fora da regra como exemplo.

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