RESENHA: Sim City - Cities of Tomorrow


A série de jogos Sim City desenvolvida pela Maxis sempre teve um lugar especial no meu coração. Eu sempre curti jogos de simulação e na minha infância adorava os simuladores de vôo e gastei incontáveis horas montando e gerenciando parques de diversão em Roller Coaster Tycon.

Porém um dos jogos que mais me fascinou foi este. O nível de detalhes contidos naquelas partidas faziam meus olhos brilharem. Em edições como Sim City 4 o nível de informações e possibilidades era simplesmente absurdo. Praticamente todo objeto na tela fazia parte da simulação.

UM JOGO QUE COMEÇOU COM O PÉ ESQUERDO.


Em 2012 quando os primeiros vídeos foram mostrados eu fiquei extremamente empolgado com a ideia de um novo jogo da franquia, afinal de contas havia 10 anos que a Maxis não produzia nada daquela que já fora uma de suas marcas principais. Além disso, ainda tinha a grande promessa: a Glass Box, a engine que profetizava uma nova era da simulação eletrônica.

Porém…

O jogo saiu e logo foi alvejado pelo público geral, primeiramente pelo fato da necessidade de se estar sempre conectado e para piorar os incontáveis bugs de servidores deixaram muitos jogadores descontentes.

Assim, mesmo com notas razoavelmente boas da crítica especializada, o jogo ficou esquecido depois de seu lançamento.

UM JOGO FEITO DE FÃ PARA FÃ


Eu fui uma dessas pessoas que não comprou o jogo no lançamento (até porque a versão pra Mac só saiu bem depois). No entanto, quando tive a chance descobri que o Sim City é um jogo feito de fãs para fãs.

Há referências visuais tanto a franquia Sim City quanto da franquia The Sims e o design do jogo tem algo de retro-futurista que lembra muito aquelas imagens de como as pessoas imaginavam que seria o futuro nos anos 60, tema visual este que foi muito explorado no jogo The Sims original.

DETALHES, MUITOS, MUITOS DETALHES.


Se em Sim City 4 o número de detalhes já era absurdo, seu sucessor não deixou por menos.

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Um jogo para se jogar com fone de ouvido e com as configurações gráficas no máximo!

No quesito gráfico as possibilidades são imensas: se o seu PC não for lá um Alienware da vida, não se preocupe, o jogo vai funcionar. Ele permite que você ajuste as configurações desde um gráfico pobre e serrilhado, sem muitos detalhes para até mesmo uma imagem cheia de detalhes que dá a impressão de que você está na verdade com uma cidade de brinquedo diante de si.

Cada edifício apresenta graficamente qualquer mudança que sofre. Aliás, você pode (e deve!) editar alguns deles o que sempre foi algo sonhado pelos fãs.

Trilha sonora:

Quanto a trilha e os efeitos sonoros a impressão que eu tenho é de estar ouvindo uma orquestra regida pelos cliques do meu mouse. As músicas mudam de tom ou mesmo ritmo dependendo de onde você clica do que está acontecendo na cidade.

Classes sociais e especialidades.

Agora a sua cidade não é mais feita apenas de Indústrias, Comércio e Residências. Os Sims que moram na sua cidade têm classes sociais, assim como comércio e as indústrias.

Cada cidade possui uma especialidade.

Além disso, você pode ser um grande produtor de petróleo, minério ou carvão. Ainda têm o fator de sua cidade estar inserida numa região com várias outras que interagem entre si trocando recursos como energia elétrica, água, gerenciamento de lixo, assistência médica, segurança, bombeiros e por aí vai.

Cidades pequenas que fazem parte de regiões imensas.

Um dos grandes motivos de mimimi entre os early adopters do Sim City foi o tamanho das cidades.

Realmente o “quadrado" liberado para você simular uma cidade inteira é bem pequeno se comparado a jogos concorrentes como Cities XL. Mas o que muita gente parece não ter percebido é que neste novo Sim City você não está administrando apenas uma cidade, mas sim uma região onde o que cada cidade faz influencia diretamente no funcionamento da outra. 

DLCs e Extensões Relevantes

Somente por esses fatores eu já estaria satisfeito como fã da série, mas ainda tem mais. Existem vários DLC’s interessantes para Sim City. Mesmo a expansão que adiciona a possibilidade de usar balões como meio de transporte público e/ ou atração turística transforma o modo como as coisas na cidade funcionam.

E é nesse momento que devemos falar de uma das poucas "expansões" que merece esse título no mercado de games atual.

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EXPANDINDO SUA CIDADE PARA O ALTO


Como eu expliquei antes, a expansão Cities of Tomorrow poderia ser apenas um conjunto de Skins futuristas para o jogo, mas não. A Maxis tinha que fazer mais.

As MEGA torres.

Ciente da limitação de espaço das cidades, a expansão oferece um novo caminho: o vertical! As mega torres são estruturas futuristas que podem ter a cara dos filmes de ficção científica dos anos 70 e 80 como Blade Runner, Duna, Tron (que inclusive são referenciados na trilha sonora!) que podem conter estruturas de cidades inteiras dentro de si. Essas construções podem ter até oito andares mais uma “coroa" que possui sempre uma função específica.

A Fundação.

Mas não basta apenas comprar a expansão para que as edificações de Cities of Tomorrow estejam disponíveis. É necessário desbloquear muitas delas, e é na fundação e nas universidades que isso é feito.

Além de melhorias para as estruturas já existentes na versão original do jogo, a Fundação é uma edificação que permite desbloquear andares novos para as Mega Torres, desenvolver novas tecnologias e possibilita que alguns edifícios funcionem distribuindo a control net, uma espécie de “internet sem-fio de física quântica” necessária para que alguns dispositivos super-futuristas funcionem.

A Omega Co.

Essa é uma franquia que vai literalmente dominar a sua cidade. Ela transforma prédios residenciais em edifícios futuristas, indústrias em distribuidores de “omega”, um mágico produto oferecido por eles, além de produzir os Drones! A produção de Omega, assim como a de petróleo, minério e carvão é nova especialidade permitida pela expansão.

Os Trens MagLev

Além de transformar as interações e a cara da sua cidade, Cities of Tomorrow também traz uma nova possibilidade de transporte. Os trilhos MagLev levam trens que cruzam toda a cidade pelo alto sendo uma nova alternativa para um trânsito complicado. Além disso as MegaTorres e outras edificações de Cities of Tomorrow podem conectar-se entre si, desafogando o trânsito da sua cidade!

LOCALIZAÇÃO E VERSÃO PARA OSX (MAC)


A tradução está formidável, não encontrei nada que me incomodasse ou forçasse a mudar o idioma para inglês, mas a Maxis sempre teve um histórico bom nesse sentido. Não existe dublagem no jogo, já que todo mundo que mora em Sim City fala Simês (a divertida língua dos Sims)

Quanto a versão para Mac (que saiu MUITO DEPOIS do lançamento) interage bem com as notificações do OSX 10.9 (Mavericks) o que eu achei legal, já que poucos jogos  desenvolvidos especialmente para OSX não usam os recursos do sistema.

Em SimCity, quando você entra no jogo é criada uma nova área de trabalho no Mac permitindo que você faça uma transição suave entre o jogo e outros aplicativos rodando no momento, e isso sem desligar as notificações!

Na minha opinião, a Maxis só pecou em não colocar um relógio em algum lugar da tela assim como fez a Blizzard em Diablo III, porque você realmente perde a noção do tempo jogando.

MAS NEM TUDO SÃO FLORES.


O jogo tem sérios bugs que impediram que eu me divertisse mais, principalmente no que se refere ao Mac.

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Bonito, mas extremamente pesado.

Sim City oferece uma gama enorme de opções gráficas, no entanto se você comprar o jogo esperando ver aquelas imagens belíssimas dos gameplays segure a sua onda. O que dá beleza ao jogo, além da direção de arte talentosa, é um conjunto de efeitos de luz e sombras que parece ser extremamente pesado e instável.

Na versão pra OSX, pelo menos no meu MacBook Pro de 2011 com placa Intel HD 3000, quando você ativa esse efeito de luz, mesmo que na opção “baixo" um aviso de instabilidade é exibido na tela dizendo que o jogo pode simplesmente parar de funcionar do nada, o que realmente acontece. Ao tentar insistir, ele travou o jogo várias vezes obrigando sempre a ter que reiniciar o Mac e infelizmente eu tive que desligar o efeito.

Porém quando você desabilita essa opção as sombras também são desabilitadas deixando o gráfico um tanto chapado e com cara de jogo de PS2.

Você ainda pode aumentar a escala da sua cidade, o que aumenta o tamanho dos objetos na tela, mas isso além de tornar o carregamento do jogo ainda mais lento deixa a brincadeira extremamente pesada sem apresentar muito impacto visual, exceto quando você se aproxima bastante da cidade a ponto de poder ver os Sims.

Travamentos, lag e perda de Saves

Mesmo com o tal “efeito de luz” desligado o jogo ainda trava de vez em quando, as vezes numa tela de carregamento ou quando eu tento construir algum edifício em específico. Também rola um certo lag que é percebido principalmente quando você demole edifícios porque dá pra perceber que eles demoram um pouco pra desaparecer.

E se sua internet é instável você corre o risco de sair do jogo e quando voltar descobrir que as últimas alterações que você fez na sua cidade não foram registradas. Isso ocorreu pouquíssimas vezes comigo, mas ainda assim é algo que acontece.

VEREDITO:


Resumo da ópera?

Se você gosta de Sim City você vai comprar esse game e ser feliz apesar dos bugs. Me senti extremamente recompensado enquanto fã da série, pois o Sim City trouxe inovações que justificaram o hiato de 10 anos entre um jogo e outro, e ao mesmo tempo entrega um experiência que apesar de se destacar dos demais jogos da franquia não abandona os princípios da série!

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