"Homem não presta" uma crônica sobre estereótipos

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"Homem não presta" escreveu a menina no perfil do seu Facebook. Após a milésima decepção amorosa, ela decidiu informar a todos os seus amigos da rede social de que todo um gênero da raça humana possui desvio de caráter, superestimando sua habilidade de escolher parceiros. Afinal de contas, todas as decepções da menina foram, de certa forma, iguais. Pois quando parou pra pensar descobriu que o tipo de homem  que ela gosta é o que não presta.


Mas nem todo homem é bonzinho. E ao contrário do que dizem por aí não é que o "bonzinho só se ferra", na verdade "otário só se ferra". Alguém comentou mais tarde que a menina colocou na "friendzone" todos os homens "prestáveis" que apareceram na vida dela. Só que, muitos desses homens não conquistaram a menina que postou "homem não presta" no Facebook não foi por não saber escolher, mas sim porque muitos desses homens não tinham "iniciativa", e acabavam se tornando "apenas amigos" da menina, por mais que eles tivessem mais chances do que pensavam. O que cai com o estereótipo de que "menina que diz que homem não presta não sabe escolher" que por sua vez acaba com o estereótipo "homem não presta".


Vocês já perceberam o quanto agir pelos estereótipos nos torna mais... Burros?


Apesar de a habilidade de "julgar o livro pela capa" ser um comportamento selecionado pela natureza que nos ensinou a fazer julgamentos rápidos para nos defender, se você para pra pensar todo "estereótipo" é um argumento falacioso pra justificar qualquer coisa. Estereótipos são usados inclusive para convencer as pessoas a fazerem coisas ruins, por exemplo: "todo judeu é culpado pela crise econômica que ocorreu na Alemanha depois da primeira guerra" ou "todos os negros são inferiores", ou mesmo os que aparentam ser mais inocentes têm a mesma ordem de segregação, como "toda loira é burra".


É claro que, tirando os casos historicamente absurdos (como o dos judeus, negros e Cia), os estereótipos podem ter sido criados por uma percepção da maioria... Ou não, já que também podem ter sido criadas apenas por ensinamentos errados que foram difundidos culturalmente, como o caso da "loira burra" (veja o Artigo da Super Interessante no final do artigo).


O fato é que a gente ganha mais ao deixar de "julgar o livro pela capa", isso é, quando isso se refere a decisões de longo prazo, como fazer novos amigos, ou mesmo avaliar o caráter de uma pessoa que você acabou de conhecer. No entanto, quando for pra tomar uma decisão rápida como: avaliar se o cara estranho que está andando atrás de você numa rua deserta tarde da noite é ou não um possível assaltante, aí é melhor confiar na seleção natural e apelar para estereótipos


LEIA MAIS:


Quem inventou que as loiras são burras?




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Comentários

  1. Você me chamou aqui sobre a promessa de que falaria sobre estereótipos e arquetipos. Você falou sobre estereótipos em tom de auto-ajuda e encerrou com lição de moral sem falar em arquetipos. E agora? Comp faz?

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