"Virou filme": a industrialização da criatividade no cinema

Ainda me lembro dessa saudosa época: a década de 90. É como se fosse ontem, quando eu ia até a casa de meus amigos para ler histórias em quadrinhos, dentre elas X-Men, Homem-Aranha e outros. E um dia, me lembro claramente, especulamos como seria se houvessem mais filmes de super-heróis, videogames e outras mídias do gênero. Eram poucas as histórias que transpunham a barreira de suas mídias para as telonas. Alguns quadrinhos começavam a se tornar desenhos animados com um tom mais sério e os filmes baseados em video-game nem sonhavam em se tornar um verdadeiro "nicho" como são hoje.

Mas a gente deve lembrar que isso foi na década de 90, onde o máximo da tecnologia era o Super Nintendo que foi seguido pelos quadrados gráficos do PSOne que trazia uma "revolução 3D" que ainda exigia, se você observar hoje em dia, um grande esforço de imaginação pra se contar uma boa história e acreditar que aqueles punhados de quadrados se tratavam de pessoas. Além do mais, pelo menos aqui no Brasil, quadrinhos e video-games eram considerados mídias de nicho ou apenas "coisa de criança" sendo distante a ideia de atingir o grande público, fato esse que se transformou completamente nos anos 2000 com a explosão das adaptações.

No entanto essas mídias evoluíram. Os quadrinhos tomaram um ar definitivamente adulto no alvorecer da década de 90, e como no Brasil tudo sempre chegava depois, no começo dos anos 2000 esse tipo de mídia (pelo menos na minha experiência pessoal) caiu no gosto do público. Os video-games contavam histórias épicas, com personagens realistas deixando de ter apenas jogos baseados somente em mecânica com um curto plot resumido no manual de instruções, ou então histórias em quadrinhos onde o protagonista perfeito salva o dia e volta para casa para tomar um café quentinho.

No entanto, com a popularização destas mídias houve a industrialização desse verdadeiro comércio de adaptações. E quando falo de industrialização eu imagino uma verdadeira linha de montagem de onde saem diversos produtos rigorosamente iguais. Hoje em dia não se adapta mais um video-game ou quadrinho por possuir uma história excepcional que necessita ser transcrita pra o cinema, até porque há de se concordar que essas histórias não precisam mais de transcrição para o cinema para serem contadas com êxito, pois já o foram. Hoje em dia se adapta porque dá dinheiro, seja quadrinhos ou video-game.

Eu não acho que seja necessária uma adaptação da história de God of War, por exemplo. A história de Kratos já foi muito bem contada nos video-games. Muitas histórias em quadrinhos também não necessitam ser transcritas para a telona, e, RESSALTO: MUITO MENOS PARA O GRANDE PÚBLICO! Pois muitas das vezes há duas adaptações quando se fala dos games e quadrinhos indo pro cinema: primeiro a transposição de mídias, precisa se adaptar a história para uma nova mídia; e já que, como eu disse, a gente não está falando de arte e sim de dinheiro, é necessária uma adaptação da história para que ela atinja O GRANDE PÚBLICO. O que geralmente a torna mais pobre e genérica.

É por esses e outros fatores que eu não me animo mais quando dizem que vão fazer um filme baseado em video-game ou em quadrinhos. E você, ainda se anima? Responda nos comentários, isso é, se você chegou no final deste texto sem figuras. ;)

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