Lançamento do iPhone 5: Uma representação da sociedade brasileira.

Recentemente foi lançado no Brasil o iPhone 5. Um expoente do luxo tecnológico ostentado por aqueles que foram agraciados pela nossa sociedade “judaico-cristã” ocidental com um bom berço ou um bom emprego (ou quem sabe ambos).

Assim como se deu no ano passado (e nos anos anteriores) houve-se um chororô em volta do lançamento do tão cobiçado celular da maçã que envolvem filas, pessoas reclamando de um atendimento ruim e, como sempre, a discussão em volta do preço do aparelho.

A versão mais “em conta” (se é que podemos utilizar essa expressão quando se trata de um iPhone) é a de 16Gb que sai pela bagatela mais ou menos R$2.400,00. Mais ou menos o que você pagaria num fusquinha em estado contestável, porém funcionando. Por essa quantia também se pode comprar um computador com configuração considerável, uma TV de LED 3D de mais de 50’’, mobiliar sua cozinha e por aí vai. Enquanto que a média de um aparelho celular no Brasil, em se tratando de smartphones deve girar entre R$400 e R$1.600,00 (chute louco da minha mente, mas há aparelhos bons nesses preços).

Mas essa reclamação todo mundo faz. Estou aqui para fazer uma reflexão mais profunda sobre o que o “advento” do iPhone representa na sociedade Brasileira, na verdade, sendo mais claro, como o seu lançamento “representa” a sociedade Brasileira em vários aspéctos.

Pra começar falemos do evento do lançamento em si. Nos EUA, poucas semanas após o anúncio do aparelho no consagrado evento recheado de pompa e mistério realizado pela Apple, fãs da maçã mordida de Steve Jobs amontoam-se no frio de Nova York numa fila para serem os primeiros do mundo a colocar as mãos no aparelho mais cobiçado pelos Geeks. É necessário ter um bom motivo pra passar a noite em claro. No caso dos nova-iorquinos, e de muita gente, apenas o fato de ser “um dos primeiros a” qualquer coisa já vale a pena. Mas aqui no Brasil não há motivo para uma fila antes do lançamento. Afinal o produto já fora lançado “no primeiro mundo” há alguns meses. E quem tem acesso a um amigo já efetuou o contrabando do aparelhinho para cá e já tira onda com ele há alguns meses.

Uma coisa que eu reparei no lançamento do iPhone Brasileiro é que: em algumas lojas houve uma espécie de coquetel de lançamento onde pessoas “importantes” e pseudo-celebridades foram recebidos com canapés e bebidas e puderam colocar as mãos no aparelho enquanto pessoas aguardavam na fila do lado de fora.

No caso dos nova-iorquinos, diante da bela loja de vidro da apple, quando os portões da felicidade foram abertos e os devotos de Steve Jobs puderam colocar as mãos  no seu iPhone, tudo rolou tranquilamente. Além disso, quem tinha contratos com operadoras pagou de US$300 a US$500 no aparelho (R$600 e R$1.000 respectivamente). Isso no dia do lançamento. Hoje você já pode comprar seu iPhone 5 pela bagatela de R$300 (US$150). Enquanto que os preços pra quem tem coleira (plano pós-pago) giram em torno de R$1.400!

Aí sim, depois de enfrentar a fila, a burocracia e pagar um absurdo, o membro da classe média, ou classe média alta pode ostentar seu telefone luxuoso de última geração para que todos possam ver e saber que ele tem dinheiro...

Mas... O que o iPhone tem a ver com a sociedade Brasileira? O que lançamento desse aparelhinho superfaturado tem a ver com a forma com que se vive no Brasil?

Quem tem dinheiro ou poder (são quase a mesma coisa... Quase) não enfrenta na fila. Passa na frente de todo mundo, e as pessoas acham normal, porque ele tem amigos, ou é famoso. “É o jeitinho Brasileiro”, ninguém e a classe média não reclama porque em outro momento também pode ser privilegiada por favores e amigos... Mas nunca é. O rico, ou poderoso também não precisa enfrentar a burocracia, e quando enfrenta não é na frente de todo mundo, é com coqueteis e suquinhos, além de muitos “sim senhor” e “não senhor”. Afinal quem tem dinheiro de verdade, já trouxe seu iPhone daquela viagem que fez a Nova Iorque, ou tem um amigo que de bom grado contrabandeou o precioso item.  E nunca paga o imposto do aparelho, que deixa ele caro. Enquanto isso, o proletariado, a “classe média” espera na fila pra pagar caro, ser maltratado, roubado e pagar o imposto.

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