Sem figuras - Dons e maldições: a saga de um pretenso escritor.

Bom, hoje é dia 25 de Julho, e segundo a torrente de posts no Facebook hoje é dia do escritor. E daí?

Há poucos dias foi dia do amigo, e noutro foi dia do beijo, e noutro foi dia, sei lá, de alguma coisa que eu nem sabia que se comemorava, mas que, graças ao advento do Facebook (e a inclusão digital) agora eu sei de todas essas datas comemorativas, as do calendário e as que o povo da inclusão digital inventa.

Mas, hoje é dia do escritor.

E quem são esses caloteiros assumidos que vendem mentiras arquivadas em páginas por aí?

Difícil dizer, realmente muito difícil responder isso. Mas, sinceramente eu não via a escrita, ou qualquer outro hobby, ou qualquer outra profissão com alguma magia ou, sei lá, essa “iluminação” que somente o cinema e as histórias podem nos convencer que existe.

O que eu estou falando é que, eu sempre vejo se dizer de sucesso, ou mesmo maestria em qualquer coisa, associado a um dom, um presente de Deus ou do Destino que abençoa uma pessoa com a capacidade inata (e diga-se de passagem: mágica) de fazer alguma coisa. E a pessoa está predestinada a fazer aquilo, como numa espécie de maldição de contos de fadas.

Eu não acreditava nisso. Sério, e de certa forma ainda tenho meus receios, pois só comprovei uma parte dessa teoria. Sei que nasci pra escrever, mas não sei se sou bom nisso. Talvez nunca descubra.

O que acontece é que, era uma vez um cara que começou a escrever quando era pequeno. E escrevia várias coisas. Ele começou com um diário. Isso mesmo, um diário. Igualzinho ao Doug Funnie (e por influência do mesmo) e então, ele começou a escrever e desenhar versões próprias de seus próprios super-heróis... E então ele inventou uma história, e outra, e outra... E foi escrevendo.

Então, de repente, esse cara viu que tinha uns 5 livros escritos. E não tinha nenhum publicado numa grande editora. Não tinha fama, sucesso, ou mesmo um Porsche 911 conversível, preto e mal conservado.

Aí o cara decidiu continuar investindo na carreira profissional dele (escrever não é profissão de gente de verdade). Afinal de contas, quem vive de inventar histórias a não ser essas pessoas “abençoadas” (ou seria bem servidas de contatos[ou sorte])?

E então o ceticismo me tomou.

Digo, tomou o cara.

Tudo ia bem. Tudo seguia nos trilhos da cética realidade.

Até que eu me dei conta de uma coisa absurda: eu simplesmente não conseguia parar de escrever.

Eu, digo... O cara. Ah, vamos parar com a palhaçada: eu estava convencido de que isso não dava grana, não tinha quase ninguém lendo, ou seja, não dava atenção, e muito menos mulher.

Mas, eu não conseguia parar de escrever. Algo me impelia a ficar diante de um notebook e digitar ali relatos sobre coisas absurdas que nunca aconteceram...

...

E, até agora, não tem dado em nada. Mas, sei lá. Uma vez, conversando com um mago (um de verdade, acredite se quiser), pra escrever um livro sobre adolescentes que mexem com magia (seja ela real ou não) acabei desabafando com ele sobre a falta de inspiração. Então, prontamente o mago disse algo como “você precisa viver a magica, ela precisa ser maior que você; então você não vai escrever, a magia vai escrever pra você; e você será apenas o cavalo”.

A palavra “cavalo” me lembra exorcismo de igreja evangélica, que me lembra demônio e que me remota a tal da maldição da qual falo no começo.

Digamos que a “magia está rolando” em mim (ou o encosto). E esta “brisa” (como diria o mago) parece que não vai passar. Seria isso o dom de que falei no começo. Acredito que não. Mas, eu sei de uma coisa: sei que estou predestinado a escrever. Mas, será que estou predestinado a ser lido?

Pro escritor, e digo isso com segurança o suficiente pra falar da “classe”,escreve pra ser lido. Eu não quero dinheiro nem atenção, nem mulheres. Mentira, quero sim. Mas se eu puder ser lido, já seria bastante coisa.

Afinal esse é objetivo de se escrever, ter alguém que leia.

Senão a gente poderia só pensar, e estaria tudo resolvido.

Mas, pra mim, a grande diferença entre essa ânsia de escrever ser um dom e não uma maldição é o fato de ser lido ou não:

Se as pessoas te lêem, é dom,

senão é maldição.

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