Xena: Maculada Oferenda. Parte 1

XenaUm dos primeiros contos que eu publiquei no meu primeiro blog Paradígma Virtual. Maculada Oferenda é um fanfic que remonta as origens de Xena, a famosa princesa guerreira do seriado que é na verdade um spinoff  da série Hercules. Nesse conto tento reestruturar as origens do personagem.

***


O ruído do atrito da pedra com a lâmina da espada se espalhava por toda a floresta. Os animais, se já não afastados pela fogueira acesa já não se aproximavam pelo barulho, agudo, incômodo e áspero emitido sempre numa constância precisa de intervalos, quando o som da lâmina ainda vibrando ecoava suave pelo ar até ser seguido de um novo ruído áspero da pedra em atrito com o metal polido. O ar úmido já fazia aparecerem gotas de orvalhos nas sombras, que refletiam timidamente a luz dourada da fogueira e a figura solitária com sua espada.

Então, o ruído cessa.

Ela olha para a lâmina que reflete de volta o olhar azul celeste vindo de seus olhos. Aquela lâmina que já havia se sujado de sangue muitas vezes. Sangue inocente. Ela sabe que macular esta mesma lâmina com sangue culpado não vai abafar os sons das almas que atormentam seus sonhos. Mesmo assim ela continua.

Quem sou eu pra julgar quem é ou não culpado?

Mais uma noite sem sono; mais uma noite em que os sonhos bons não vieram confortá-la, apenas o ressentimento e o remorso vieram visitá-la hoje. Então ela continua a afiar o motivo pelo qual ela ainda continua viva. A vingança?, não, ela já não existe mais. Perdeu-se entre o ódio e o medo, mas o fim a que ela veio continua: a batalha nunca termina pra ela, então vem o sentimento macabro de que é apenas mais uma alma penada no mundo, um soldado sem exército enlouquecido por uma guerra que, pra ele, ainda não terminou.

Fecha os olhos, princesa, pois hoje a bondosa floresta te dará o abraço de boa noite, e te confortará enquanto as estrelas, cintilantes, contarão histórias belas e mágicas até que o próprio Morfeu se encarregue de trazer o mais belo dos sonhos pra você...

Embalada pela memória das palavras de sua mãe, ela então consegue um pouco de descanso. Em seus sonhos, imagens turvas e chamas que dançam por sobre as casas. Centenas de pés marcham como se fossem apenas um par. E uma noite fria e barulhenta na qual uma pequena garota acorda em meio a uma verdadeira guerra. Uma pequena e inocente garotinha que ainda veria muitas guerras em sua vida caminhava agora entre corpos sem compreender que aquelas figuras, agora inanimadas e banhadas em sangue agora estavam mortas.
– Xena, venha pra cá! – dizia sua mãe a porta de casa. A menina corre e abraça a mãe. Nenhuma lágrima desce de seus olhos ao ver o terreno de sua casa coberto de corpos. Ela simplesmente pensava que tinha feito algo errado pra sua mãe gritar.
– Onde está papai? Onde estão meus irmãos? – pergunta ela.
– Eles foram para a guerra, aquela que papai sempre fala. Foram lutar por nossas vidas, por nossas terras!
– Por que não podemos lutar também?
– O mundo é perigoso, minha filha. Ele tem muitas ameaças, e a guerra pode-se dizer que é a pior delas. Os homens são mais fortes, eles devem nos proteger, seria muito triste pra eles perder a mim e a você. Por isso eles enfrentam os perigos, pra nos proteger... – disse sua mãe abaixando pra falar com ela e a abraçando novamente. – O mundo é perigoso, e só eles enfrentam o perigo. Deve ser por isso que o mundo é deles, minha filha. Vamos entrar. O quintal está sujo de mais. –
E o sol começa a nascer e aquecer seu corpo enquanto ela abraça sua mãe. Quando ela dá o primeiro passo dentro de casa, o cadáver de um dos soldados agarra seu calcanhar.

NÓS SOMOS O PERIGO!!!

E então, uma mulher ofegante desperta com a espada em punho. O sol já havia nascido e a fogueira se apagado. Era hora de partir.

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